terça-feira, março 13

Rodrigo Leão

Os meus neurónios já não me permitem saber exactamente como ou quando, mas recordo-me que foi na António Arroio (e suas ramificações) que tive o privilégio de travar com este génio made in pt.
Fumámos umas, bebemos outras, palmilhámos calçadas, falámos de vida e de musica… éramos miúdos e íamos ser artistas.

Destes dias a imagem mais persistente será sempre a de uma “mostra” algures nas Escadinhas do Duque:
- “Vamos tocar-lhes aqueles dois temas”, informou Rodrigo quando se sentou na mesa regressando do canto “palco” vazio com duas guitarras de caixa nas mãos.
Pedro (Ayres de Magalhães) lançou-se à tarefa de afinar cordas tão tocadas como nós, e Teresa (Salgueiro) terminou a sua bebida, alguma coisa diferente, algo forte, de facto algo potente!
- “Em Sol de 7” disse Rodrigo (Leão) e sem aviso iniciaram os acordes daquilo que se tornaria nos Madre Deus.

Mês e meio depois de me terem forçado a iniciar o cumprimento do Serviço Militar Obrigatório, entrei no bar do Ministério do Exercito e lá o reencontrei, sentado à mesa a beber o mesmo que eu, a vinte sete e quinhentos. Faltava-lhe mês e meio para sair da Tropa (estava na “Peluda”), repeti-lhe que não gostava dos 7ª Legião e ele repetiu o mesmo sorriso de quem busca incentivos nas memorias para cobrir o beliscão no orgulho.

Hoje, 22 anos passados, ouvi pela primeira vez o mundo, um best off que reúne 13 anos de trabalho. Pedi para mo oferecerem, é o meu tributo à obra do Rodrigo Leão.
Gostei bastante!
O mainstreamismo alcançado pouco se reflecte na sua fidelidade musical. Continua a saber escrever o sóbrio de forma a que este se vá deixando entranhar em exuberâncias semi ocultas, é um compositor extraordinário.

E continuo a não gostar dos 7ª Legião…


Abraço ao piano

3 comentários:

Cindy disse...

Há os que cantam, os que encantam e os que são verdadeiros músicos!! E o Rodrigo Leão tem as 3 características!
Parabéns ao trabalho do amigo!

Beijokitas!

Momentos disse...

O tempo pode passar... os neuronios podem não funcionar já tão bem... mas há coisas que não esquecemos, porque ficam retidas para alem da memoria, ficam gravadas na alma.

Dias... disse...

Cindy
Subscrevo...

Momentos
E nós, fotografos, temos uma "alma" com um pouquinho mais de espaço para reter Momentos.

Beijinhos às duas e obrigado.

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Algés, Oeiras, Portugal
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