sexta-feira, junho 28

Das duas, ambas.

Pois ainda amu toda e cada uma das mulheres a quem disse amar, e já são demasiadas para este tempo longo de dias. Facto que tenho sentimento para dar, mesmo depois de me ter rendido ao nunca mais. Já tive Mãe e Filha, ambas optimas, inesquecíveis, vou tentar repetir. 
  
 
Boa sorte para mim.................................
                                                                                                                                                                      

terça-feira, maio 7


Mãe, sempre foste mentirosa
E à tua conta não confio em nenhuma mulher.
Se bem que a idade da morte me tenha ensinado
Que cada uma de vocês é como sabe ser.

 Lembro-me de uma maquiavélica
E de outra compulsiva
Lembro do não fode nem sai de cima
E até me lembro de uma apenas impulsiva.

 Lembro-me de outra que só dizia
Autodidata tive de me viver
Para sobreviver a tantos dia-a-dia.
Tanto delas que tive de não aprender.

 Mãe da minha querida filha
A mais traída de sempre e arredores
Filha, o amor da minha vida
Até tu me trouxeste tantas dores.

 Pois não gosto de mulheres
São uma espécie surreal
Ai quem me dera ser gay
Honesto até ao final.
Pois não gosto de mulheres
Tantas e tantas tentei
Mas nenhuma vale um ovo
E não sou só eu que o sei.

 E claro que neste resumo falta
A ex dona do meu coração
Que me pôs a dormir num quintal
Apenas mais uma desilusão.

 Pois não gosto de mulheres
São uma espécie irracional
Ai quem me dera ser gay
Liberto até ao final.
Pois não gosto de mulheres
Tantas e tantas salvei
Mas nenhuma vale uma lágrima
Das tantas horas que chorei.

 Podes sempre herdar o que me resta de coração
Podes sempre gritar que não passou de emoção
Podes sempre afirmar que afinal nada sei
Mas fica o registo do que não vivi bem.


(pic not by me)

segunda-feira, dezembro 31

E porque não amor cantar
quando tudo é o que nos falta ?
E porque não ressuscitar
depois de cada derrota ?
E porque tanto demora o tempo
para nos permitir regressar
para nos devolver o alento
da vontade de nos gritar ?
E sem vontade de muito mais
muito mais que este viver
da caridade de meus pais
de ver uma filha crescer.
E porque não apenas pausar
hibernar por uns anos ?
Parar enfim de respirar
que o corpo restaure os danos.
Porque tudo deste sentir
me impele para nós de novo
sabedor de todo o porvir
mais um Zé neste povo.
Que tanto amo e desprezo
desde a aurora ao serão
que mais que menosprezo
em cada nova canção.
E agora tornei-me outro
a todos os Zés semelhante
manada com mais um morto
menos um ser refilante.
E porque não amor cantar
nas vésperas de outro morrer
sem qualquer vontade de acordar
destituído de razões para ser ?
E porquê catalisar-me assim
masoquista de outra vida
dependente de um sim
para regressar à deriva ?
Guardei todas as palavras tuas
mesmo aquelas que disseste nua
entrarei carpindo pelas ruas
na eterna companhia da lua
E porque não amor cantar
e porque não tanto escrever
invés do lento me  suicidar ?
Sem paciência para reaprender.
E porque não amor cantar
esta derradeira melodia ?
Saudades de acordar
saudades de outro dia.
(pic not by me)

domingo, novembro 19

Do verbar.

Falamos, dizemos, debitamos.

Hoje limitamo-nos a descarregar palavras, frases, conhecimentos, conceitos, certos ou errados mas invariavelmente monologados. Já não trocamos ideias, não conversamos, não permitimos que outrem nos ajude a enriquecer o discurso e o saber, não invitamos alguém a participar, queremos apenas ouvir-nos.

Na melhor das tertúlias esprememo-nos em monólogos mais ou menos soluçados pelos ritmos de interrupção dos receptores, onde nos esforçamos por encontrar algum espaço decibelico na avalanche de monólogos inconfluentes que nos rodeiam, criando uma teia caótica de verbos que nem sempre se cruzam, que se entrelaçam sem sentido, sem sentidos, que chocam, que reverbam, que se perdem no ruído da torrente, bombardeando-nos apenas e também com as suas palavras, as suas frases, conhecimentos e conceitos, certos ou errados mas invariavelmente monologados.

Já não ouvimos, não debatemos, não discutimos, não conversamos. Falamos, dizemos, debitamos. Atropelamo-nos, sobrepomo-nos… e chegamos ao final do dia com dois ou três semi parágrafos de interesse, que não desenvolvemos porque já estamos exaustos de tentar dizer a quem não ouve, respeita ou acompanha. Demasiado vampirizados para um direito de resposta, desmotivados para qualquer achega emocional ou cultural, e indiferentes a qualquer segundo de atenção.

Blateramos-nos.

sexta-feira, outubro 13

Tarantula c/ batatas fritas e uma mijadela


Finalmente, o nosso excelso parlamento aprovou a lei que permite a entrada de animais de estimação em restaurantes, cafés, bares e afins.
Para minha tranquilidade absoluta, só falta a PROIBIÇÃO de entrada a crianças mal educadas quando acompanhadas por pais que o permitem. E a permissão de se puder fumar um cigarrito indoors a partir das duas da matina.
No entanto tenho uma duvida; repteis e aracnídeos são considerados animais de estimação aos olhos desta lei ? É que não me apetece mesmo nadinha uma carne de porco à alentejana enquadrada por tarântulas e iguanas…

Saúdo ainda a redução do IVA para 13% nos instrumentos musicais. Assim vamos ser mais a instrumentalizar o Grandola vila morena invés de granadar toda esta corja.

quinta-feira, setembro 14


Ó quão rica a memoria de um pelo.
Em contra-picado cegamo-nos na cascata que, se bem fornicados, nos conseguirá até engasgar os orgasmos.
Em plange, enquadram pescoços salivados, arranhados e mordidos, onde no êxtase mergulhamos, afogando ou ouvidando a voz do esperma.
Chegamos a cometer a heresia, a ultimate nojice, de nos deslizarmos troncos abaixo ou pernas acima, para beijarmos, lambermos e até sorvermos de onde eles e elas fazem xixi, e não raro, lá vem um pintelho entre os dentes, na língua, na face…

Ó quão triste a memoria de um pelo.

Mas, e encontrar um deles no bidé ? Fardos a entupir a banheira ? Ah a heresia (de uma refeição à borla) , no prato da sopa ??

Um pelo, cabelo, sobrancelha, pintelho, tem a vida datada ao momento em que se separa, arranca, corta ou é amputado do anfitrião.

A massa que mergulhamos, que nos cócega, que nos acolhe, lixo é desligado de gente.

quarta-feira, dezembro 14


José, o Zé para os amigos. O mais otario dos cornudos da historia da humanidade.


Então temos este bacano, o Zé, que se apaixona e casa com a Maria. Nada de novo na Palestina antes, durante ou depois de Cristo.

O pequeno problema do Zé, é que já casou cornudo, com uma Maria que, qual Sportinguista, acreditou numa mega tanga, neste caso: “Zézinho, veio um anjo do senhor que me fornicou de todas as formas que o demo lhe ensinou e eu, como sou uma Maria burra, não usei contracetivos, provavelmente um tubo de tripa de cabra ou um cocktail de saliva com ácidos citrinos, e acabei a puta da noite gravida” .

E o nosso Zé comeu a estória… e lá arrancou, burro, com um burro de Jerusalém até Belem, atravessando centenas de quilómetros de deserto sem se aconchegar nos entrefolhos da sua Maria sequer em uma das noites desta fria caminhada pelo deserto, até encontrar uma gruta para a Maria parir ainda virgem.

E não é que do nada surgem três Reis, que igualmente atravessaram meio deserto, Reis sem escolta…. Ainda hoje não podes ir a Marrocos sem escolta militar, mas estes três resolveram seguir uma estrela e virem sem escolta.

Do Baltazar ainda se percebe, porque era preto, mas dos outros dois… tinham sido roubados, violados e estripados a cada dez quilómetros por qualquer gang de beduínos, mas estes lá conseguiram atravessar o deserto para irem visitar um menino a uma gruta. Sem concubinas, sem escravos, sem guarda… apenas uma gruta com uma (leia-se duas) vaca(s) , um (leia-se quatro) burro(s) , e um molho de pastores…

E nós comemoramos o nascimento desta tanga ? Somos tão burros como o Zé !
Minha foto
Algés, Oeiras, Portugal
eu sou quem