segunda-feira, setembro 24

Já é Outono ?

Nunca o negro esteve tão afastado da luz, deve ser…

Ergo-me das ondas procurando gaivotas, fotografo Turner´s, gravo guitarras, fornico de tshirt. Antecipo os lagos dos meus vazios.

Caem-me folhas do corpo, galho calvo que se lança para as noites.
Até a chuva, amiga dos brilhos em ruas vazias, tem cumprimentado o corpo velho que descerebrado percorre dias que passem.
Parem o Mundo, deixem-me sair na próxima estação porque sobrevivi ao Verão!

Malditas carnes, malditas companhias, malditos sentires que terrestrizam o animal. Voa, brilha, morre, morro! Mas não no Outono, no Outono sou criação, sou desfolhado, sou vento nas asas das meretrizes das gaivotas. (E vem-me o boys of summer, 45 rpm)

Chuva vem, preciso-te. O Verão terminou, deixei de sentir não de amar.
E o Inverno, ainda vem longe?

Abraço de solstício

Photo by Sonia

Como o dirias tu Marceau?

29 comentários:

Fernanda e Poemas disse...

Dias,lindo texto,belíssimo!!!!!!!!!
Adorei a tua escrita.
Bom início de semana.
Beijinhos,
Fernandinha

Isabel disse...

Fantástico o Outono não é?
Também eu descanso as asas no Verão, preguiçando na ausente boleia do vento para no Outono, ave folha agitar as asas, ou deixar-me ir no vento.
Mais belo é o sol quando o brilho não cega.
E quão belo pode ser um raio de luz numa gota de chuva pousada a dormir numa folha amarela?
Tanto.
Tanto.
Tanto que a beleza do voo agita desejos de queda.
Tanto que a vida provoca anseios de morte.
Mas não.
Tudo segue o seu curso.
Redondamente.
E o Inverno chegará.
E falta pouco.... Já espreita por entre o Outono.
Pisca-me o olho, e eu, cúmplice, respondo-lhe com uma careta chamando-o para brincar às tempestades_______________ de sentires.

Isabel

Bouquet disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Teresa Durães disse...

já é outono e caem-nos as penas. a sensação de fornicar de t-shit por estas bandas é idêntica. (bolas, identifiquei-me tanto com este texto que saio voando)

beijos

*Marta* disse...

Tes lignes d’automne m’offrent toujours cette atmosphere de mots doux et étoilés. Tant agréable à lire mais pas a penser. Je n’aime pas l’automne et plus moin l’hiver. Pourquoi l’appelles tu, tout le temps, André? Il ne tortue que mes jambes et mon coeur fragile quand frémissent les feuilles des arbres et toute la gloire se dissipe. La gloire de la vie et la mienne avec ses secrets et ses couleurs. Il m’apporte la nostalgie des choses. Bientôt je ne reviendrai qu’une femme qui suffit d’un besoin vorace de tes histoires, moments vagabonds et magnifiques auprès de toi qui vont remplir mes jours gris. Décrifre moi. Je crois à mon coeur qui embrasse le tien dans un baiser.

(Comme le dirait, Marceau)

*Marta* disse...

Faltava a mímica... Talvez no futuro possamos fazer replys em janelinhas ao vivo...

ILO disse...

O laranja quente, o crepitar cinzento, o fumo azul, o oxigénio castanho a cheirar a água.., o corvo sauda-nos de novo, os murmúrios que se recolhem em cristal violeta, o covil escuro que nos acaricia
O Outono também é Mãe..

Ki disse...

Pareces uma árvore que deixa cair languidamente as folhas... Tens dias que são mais dias oh Dias André :)

Cada vez mais gosto de te ler, sempre surpreendente!

Abraço de equinócio :)

Um Momento disse...

E o Outono chega...
Os dias mais curtos
As manhãs mais apeteciveis
As tardes desejando o sol,
Para as noites ternamente aconchegar

Deixo um beijo
(*)

Boop' disse...

às vezes acho que essas estações de que falas são apenas estados internos...

Mas só às vezes...
Até ser colhida pelo frio... pelo aconchego, até me sentir molhada por dentro e por fora.

GarçaReal disse...

E eu sobreviverei ao Outono?
Não sei....

bjgrande

Bouquet disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Pratas disse...

Dias,

mais do que nunca, também eu estou a precisar desse Outono que descreves... faço das tuas belas palavras as minhas.

Boa foto ;)

as velas ardem ate ao fim disse...

Particularmente, emocionaste me.

bjinhos

silvia disse...

Uma névoa de outono o ar raro vela
Cores de meia-cor pairam no céu.
O que indistintamente se revela,
Árvores, casas, montes, nada é meu.
Sim, vejo-o, e pela vista sou seu dono.
Sim, sinto-o eu pelo coração, o como.
Mas entre mim e ver há um grande sono.
De sentir é só a janela a que eu assomo.
Amanhã, se estiver um dia igual,
Mas se for outro, porque é amanhã,
Terei outra vontade, universal,
E será como esta...
De: Fernando Pessoa

Observadora disse...

Sou a folha amarelecida
que em tapete matizado
põe tons de "OUTONO" de vida
num inédito bordado.
....
Pois o Outono está a chegar... espero que traga muito frio, para embrulhar-me nos cobertores logo pela manhã, beber chá quente pela noite e sentar-me à frente do pc
e jogar em on line o solitário :)))

amigona avó e a neta princesa disse...

Tens um apelo no meu blog! Beijo...

Dias disse...

FERNANDA
Muito obrigada, a dobrar, por estarmos perante uma nova visita. Atenção que isso da escrita tem dias...
Beijinhos

ISABEL
Fantástico como o teu reply, o Outono.
Muitíssimo obrigada pela riqueza que aqui deixas-te.

BOUQUET
Sou um sobrevivente, mas já estive mais longe.
Beijo do tamanho de qualquer coisa.

Dias disse...

TERESA
Não prescindo da companhia de alguém quando escrevo. No caso deste texto foi na tua companhia.
Sabia que ias gostar, mas obrigada na mesma.
Beijos

MARTA (entre meus beijos)
Comme le dirait, Marceau :))))))))
E como é que uma lingua tão bela de ler pode ferir tanto o ouvido.
Espero sempre algo dos teus replys e tu nunca me decepcionas, és incrível miúda.
Um beijo Tuga
P.S.- Replys em janelinhas ao vivo no futuro? Mas em que século vives tu?

ILO
Bom texto, e com a frase final desarmas-me.

Dias disse...

KI
São dias… eu sempre disse :)
Esse abraço enquadrado por uma floresta.

UM MOMENTO
E que saudades terríveis que me deste de estar numa fila de transito às 8 da manha, escuro, com frio, e a chover :)
Um beijo encontrado e reentregue

BOOP
O Outono e o Inverno permitem a tristeza sem grande reprova, despertam os instintos, aconchegam.
Obrigada.

Dias disse...

GARÇA
Peço perdão, a ti e a todos os amantes do Sol, mas agora é a minha vez de respirar.
Beijo muito grande e forte que te empurre por cima das proximas Estações.

PRATAS
Obrigadão parceiro.
Adoro a foto.
Abraço forte

AS VELAS
Muito obrigada
Beijinhos

Dias disse...

SÍLVIA
Desculpa-me, JURO que não é para chatear, mas eu sou um dos dois únicos Bloguistas que não gostam de Fernando Pessoa, no meu caso porque é um piegas, tacanho das ideias e vulgar escritor e poeta.
Mas a ti, fico imensamente agradecido.
Beijo imenso.

OBSERVADORA
Esse poema é teu? Está óptimo!! (se isto fosse o meu filme, o Poema era do Pessoa... a excepção na pior altura)
Muito obrigada

AMIGONA
Assim que o tempo mo permita.
Obrigada e um Beijo

*Marta* disse...

xiii..expliquei-me mal, foi do sono. Replys em janelinhas ao vivo? eu que que eu quis dizer é que qualquer dia será possível em lugar de escrever nesta caixinha, passar aqui um clip ao vivo e nesse caso o meu reply seria uma cena em que imitava a mímica de Marceau. Tu m'as conmpris maintenant? Baisers :)

Entre linhas... disse...

o outono chega com o seu perfume de folhar amarelas caducas anunciando um desfolhar nostálgico.
Bjs Zita

*©õllyß®y disse...

Será que este Outono será o mesmo?
Gostei muito do texto poetico...

Doce beijo

*Marta* disse...

Há dias em que mais vale ficar calada do que andar a gaguejar por aí. Beijo sem pressas depois do aviso :PPP

GarçaReal disse...

Mesmo no caír da folha...mesmo no Outono(que detesto...faz-me solitária) apanhas-me sempre...

Afinal habito naquele Lago....com Sol ou Lua...

bjgrande

Nuno disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
moonlover disse...

Intenso!

Cheio de emoções!

Fazes com as palavras o que Marceau fazia com a mimica.

um beijo silencioso;)

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