terça-feira, maio 29

EU desafiado

EU QUERO viver mais uns Dias.

EU TENHO Arte.

EU ACHO que sou diferente.

EU ODEIO quando a minha filha não está bem.

EU SINTO demasiado.

EU ESCUTO bem.

EU CHEIRO a André.

EU IMPLORO que Deus (os meus Deuses) zele pela minha filha.

EU PROCURO fluir-me.

EU ARREPENDO-ME... o pior é que não me arrependo!

EU AMO a minha filha, a minha cadela, dois amigos, três mulheres, a agua, a noite, e a Arte.

EU SINTO A FALTA e vou sentir para sempre.

EU IMPORTO-ME e exporto-me.

EU SEMPRE que posso isolo-me.

EU NÃO FICO dois dias sem criar.

EU ACREDITO em quase tudo.

EU DANÇO no sentido lato da palavra.

EU CANTO imenso.

EU CHORO, agora menos.

EU FALHO às vezes...

EU LUTO bravamente mas com egoismo.

EU ESCREVO porque gosto de opinar.

EU GANHO em montes de jogos de Tabuleiro.


EU CONFUNDO-ME com a noite.

EU ESTOU vivo

EU FICO FELIZ por experimentar tanto sentir.

EU TENHO ESPERANÇA de ser rico
.

EU PRECISO da Netcabo.

EU DEVERIA cuidar-me.

EU SOU o André, bom dia.

EU NÃO GOSTO de espinhas, unhas, piercings faciais, aves depenadas, e da falta de tempo.

Abraço desafiado

Desafio proposto por Papoila Sonhadora um privilégio para este seu admirador.
Muito obrigada e um beijo.


(Sei que é uma tremenda desconsideração mas passei o “Desafio” a dois proprietários de espaços fechados, a CINDY e o PHANTASMA.)

domingo, maio 27

O vício

Tentar controlá-lo é um desperdício primário de tempo e energia, à primeira oportunidade ele reinstala-se com a mesma comodidade de sempre.

Conseguimos encontrar inúmeros argumentos e quanto mais fortes formos mais argumentos conseguimos descobrir para o justificar. Mas por mais argumentos que inventemos para enganar a nós e aos outros, só existem duas formas de ultrapassar o “vício”: Uma Lobotomia, ou corta-lo pela raiz e banhar a lancha chamas o espaço que ficar!


Abraço chamuscado

quinta-feira, maio 24

Imaginar-me

Preciso de momentos que me permitam purgar o bom e o mau, equilibrar os sentires através da catarse do sonho conduzido com que a imaginação mima o espírito. Parar de pensar e imaginar-me.

No carro penso mais do que imagino mas quando me imagino é para ultrapassar as leis e saldar as minhas contas com o Mundo. Se eu fosse Deus existiam muito menos pessoas!

Enquanto lavo a loiça consigo encontrar espaço para parar de pensar e imaginar-me. O barulho do esquentador, a agua a correr e os movimentos ritmados, concedem-me alguns minutos de transe com vista para o Pacifico.

O banho é o espaço de eleição para me imaginar. Nele me perco em meias horas de outras vidas com outras mulheres, outros filhos, outro corpo, outro ritmo…

Nos momentos pós adormecer a filhota pela enésima vez na madrugada, aqueles momentos que se passa deitado a seu lado refém da mais bela mão do Universo, já adormecida mas ainda demasiado desperta para nos deixar voltar aos afazeres, nesses momentos sonho-me diferente: imagino-me no futuro.

Não existissem esses momentos e não existiria este Abraço

terça-feira, maio 22

O Tempo que Cura

Na idade das descobertas aprendi com o Povo que “O Tempo tudo cura!”, e realmente, o Tempo de tudo me tem curado. Mas o ditado popular, convenientemente, omite as Cicatrizes… as cicatrizes não saram com o tempo, as cicatrizes NUNCA saram!

Sobreviver à minha ultima Morte foi uma surpresa.
O tempo deixou de existir. Não parou, tornou-se desnecessário.
Fiquei suspenso no querer ou não continuar… aceitar ser o vácuo depois de ter sido a perfeição, fotografar o nada para alem do tudo que antes fui, cantar sem o feeling do Tejo, desenhar a moldura sem tela que somos quando o Amor não agarra.

Fiquei suspenso no querer ou não continuar… até perceber que mesmo morto fotografava, cantava e desenhava. Morto por morto prefiro cantar!

Mil vezes amaldiçoei o Tempo que por mim deixou de passar, mil vezes amaldiçoei tudo o resto… e quando já só existiam coisas boas para amaldiçoar, saturei-me de amar e de odiar, cansei-me de não ter forma ou conteúdo, fartei-me de não ser Eu. Decidi ser alguém todos os dias e, dia a dia, cá estou mais próximo do que fui e com o Tempo voltarei a ser.


A Cicatriz lateja,
ubíqua, mas já não baila ao ritmo da Aorta, constante! Agora a Cicatriz é apenas a minha pele, mais um pedaço de mim. O registro, de olhos fechados imperceptível, de que Eu sou um dos privilegiados que tua com o Amor.

Não deixo de estar morto mas já consigo viver. A alegria não é a mesma mas é genuína e é o de facto, também graças ao Tempo.

Abraço cheio de força para todas as palavras primas que me musaram a escrever este texto

(Vou empacotando cicatrizes numa qualquer gaveta do esquecimento e por lá as tento forçar a ficar, para que não estorvem a respiração e o sorrir do pouco mais que ainda pretendo viver)

domingo, maio 20

Hospital Francisco Xavier SUCKS!

É inacreditavelmente admitido que as multinacionais da farmacêutica testem os seus produtos nas populações mais necessitadas mas, medicamentos como a pílula não podem ser testados em povos em que o conceito da contracepção é inexistente. E é ai que nós entramos, neste caso, as nossas mulheres.

Anos e anos de pílula corromperam a ovulação (25% dos casos de forma definitiva) da mulher portuguesa que, quando quer ser Mãe normalmente tem à sua espera um largo intervalo de ansiedades entre o deixar de tomar a pílula e o engravidar. (fico triste pelas amigas que desistem de ser Mães pelos efeitos secundários que a abstinência da pílula causa aos seus corpos)


Depois de anos de tentativas, ela conseguiu! Uma gravidez de alto risco mas ambos estavam felicíssimos.

Num dos primeiros checks de rotina (multiplicados por dez nas gravidezes de risco) foi dado o temido sinal de alarme que a levou directa ao Hospital São Francisco Xavier para perder o filho que tanto querem, ao ponto de o próprio casamento, no meu pensar, por falta deste filho perigar.

A partir daqui a história envereda por estradas que não compreendo, mas sou suficientemente não-estúpido para compreender que algo está muito errado e não é só com os pais.

Na mesa abriram-na, fecharam-na e foram-se embora, trocaram de turno sem deixar uma única palavra aos familiares que apenas horas depois tiveram o nervo de agarrar uma bata branca pelos colarinhos e colocar a questão: Como está a minha mulher? Como está o meu filho?

O que a bata com óculos lhes respondeu foi que tinha acabado de chegar da sua vida, e que segundo o processo a minha cunhada tinha sido aberta, observada e fechada.

Existe um quisto no assunto, um quisto que, já foi explicado, é natural nas gravidezes, surge com as alterações morfológicas e morfologicamente se consome com a adaptação da Mãe às mesmas. Para estudar um quisto natural não é necessário abrir alguém de urgência.

No processo não existia qualquer referencia à remoção de um feto, mais, não existia qualquer referencia a um feto… Existem sintomas de gravidez mas não existe feto, não é raro mas também aqui não é necessário abrir alguém de urgência para se procurar um feto camuflado algures numa trompa ou parede exterior do útero.

Dois dias passados recambiaram-na para casa, sem explicações à Operação de Urgência, e com um papel que diz que a gravidez está a decorrer normalmente…

Pessoalmente não tenho muito a apontar ao Hospital São Francisco Xavier, mas começo a conhecer demasiadas pessoas que o têm.

Cheira-me a incompetência nos procedimentos técnicos mas acima de tudo no trato com a emoção dos futuros pais que deixaram de o ser para já não saberem se o são ou se a mulher vive ou morre, e agora, qualquer um o percebe, recuperam a esperança de ser pais por uma vez, por esta única vez.
Anos de emoções condensados em dois dias sem uma única palavra de quem abriu, viu, e fechou…

Abraço aos cunhados

(o “estatuto” de cunhado é mesmo para toda a vida?)

sexta-feira, maio 18

Los Tres Amigos

Eu apaixonado por eles, e eles mataram-se.

y- Como estás?
x- Péssima!
Seguido de um longo e penoso silencio que esclarecia mais que qualquer lágrima em rosto insano.

y- Posso fazer alguma coisa?
x- Podes ajudar o teu amigo.
E despedimo-nos com beijos e abraços repletos de carinho.

"Podes ajudar o teu amigo"
Só o amor permite cuidar com tanto desprendimento, com tão pouca noção de si própria.
Só a pouca noção de si própria permite o desprendimento que tanto obriga a cuidar.

Não estive com ELA mais que uma mão de vezes mas foram vezes até ao dia seguinte, prelúdios da eterna amizade que hoje se encontra comprometida.
Não estive com ELES mais que uma mão de vezes mas invejar a sua felicidade foi essencial para tornar ao caminho da minha. Eles eram lindos!

Depois colapsou a razão porque nos encontrámos… O nosso amigo comum foi o pai de nós mas vocês deixaram-se demasiado cedo e sem ele ainda não sabemos ser irmãos.
Não posso abandonar alguém que me diz estar péssima mesmo que seja a assassina do meu amigo, mas também não a posso ajudar porque não sei calar este repúdio machista à forma como ela ama o meu amigo.

E os dias passam… que saudades de uma Guinness.

Abraço aos dois e a quem mais acolhe os pedaços
Minha foto
Algés, Oeiras, Portugal
eu sou quem