Na viagem do guarda-fatos aos contentores, percebi o raro que existe de mim no meu vestir; quatro, cinco peças... tudo o resto veio com a profissão, herdei de familiares e amigos, ou foi oferecido por companheiras e amigas.
Em miúdo, quando cravava roupa às amigas; despiam-se e emprestadavam-ma. Os amigos eram mais relutantes; emprestavam mas com inúmeras recomendações e Vês de volta.
Hoje, raramente cravo seja quem for mas, os amigos esbanjam-me com roupa, e existe um resquício maternal desregrado na compulsividade de toda a mulher pretender vestir um homem!
É interessante que a nossa companheira, por norma nos ofereça peças que gostamos mas que não nos servem, e que a amiga nos ofereça peças que nos servem mas que não nos completam. Uma conhece-te os gostos, a outra ainda não se te alçou do corpo. No entanto, se anunciares à companheira ou à amiga que lhe vais pedir uma peça de roupa emprestada, ambas pensarão que lhes pretendes um fio-dental.
As nossas roupas, personagens de nós.
(photo not by me, but for M)









