segunda-feira, novembro 5

Socialidades

Barebacking significa no calão da comunidade homossexual: relação anal sem protecção, termo adoptado pela comunidade heterossexual como: relação sexual sem preservativo.

Existe uma comunidade crescente de Homens que não querem ser reféns da hipótese de uma doença. Homens que encontram prazer no jogo da hipótese do contágio, expondo-se ao SIDA como uma das respostas mais alternativas e iluminadas da história da consciência social.

Barebacking
Não usar protecção é ser natural.
Não usar protecção acrescenta a adrenalina do risco ao libido.


Bug Chasers
Não usar protecção permite ser infectado e ficar de uma vez por todas livre desse pavor que hoje, com a esperança media de vida do sero-positivo alongada em quase duas décadas, permite afirmar que quem for infectado hoje não morrerá do SIDA, logo, não tem razões para temer o contágio.


O mainstreamismo desta escolha de vida é atribuído ao artigo Bug Chasers - The men who long to be HIV+ publicado no inicio de 2003 na Revista RollingStone
- He's had sex with Richard about thirty times in the past year. "Knowing he's positive just makes it more fun for me," he says. "It's erotic that someone is breeding me."
- "It's like living with diabetes. You take a few pills and get on with your life."

Existem neste momento festas Barebacking organizadas em exclusivo para Bug Chasers onde sãos e infectados se amam a-la veneziana, mas de orgãos.

De Barebacker todos temos o seu quanto.
De Bug Chaser, com o sistema de saúde nacional, é preferivel não o sermos... embora esteja fascinado pela resposta social à peste da minha geração.

Abraços

(obrigada pelo tema Lic)

quinta-feira, novembro 1

Funâmbulos de Esperma

Acariciava-se com o vagar de quem me tem seu. Não me ensinava novas do sentir-se, passeava-se apenas com nossos dedos, e mesmo nos desleixos do percorrer, recusava debandar os olhos que fundo nos meus encontravam fasquias.

Da largura dos ombros ergueu-se pelo pescoço elegância, num impulso que lhe redesenhou o charme dos malares, desabrochando-se em palavra por entre os lábios vincados pela mordedura: Não permitas que me venha meu Amor, implorou-me ventre tornada. E sem razões saber, preguei-a aos cantos do estirador, mão e pé juntos, laçada em asfixia pelos cabos do portátil.

E contemplei-a…
Contorcia-se a vulva com o olhar que no arfar a admirava, distendiam-se ancas e abdominais procurando alcançar homem, e no topo ondulavam no vascular dos peitos hirtos mamilos. Aticei-lhes meus dedos que desde o cóccix a perseguiram ancas acima até aos ombros, para num todo a trazer para o beijo, e só então se cravejaram os dedos nas hastes, com tal fundir que se sobrepôs o grito ao ainda existente do beijo sorvido.
Senti-lhe o pulsar do diafragma mitigar o tórax ensaiando esvair-se, e afastei-me seguido pelo seu protesto.

Rodeei o móvel mastigando-lhe o pescoço exposto pelo peso dos cabelos que se abraçaram às minhas rótulas quando lhe entupi o protesto e, acto seguido, me relancei sobre o fruto caldado pelo intervalo. Língua e dedos vortex do desejo com que lhe tatuava a traqueia.

Repelia-me a garganta asfixiada, mais e mais a cada refração do abdomen que se esvaziou em seco espasmo pronto a concretizar todos os sentidos, e no seu esvaziar me retirei concedendo-lhe maxilares para tornar ao protesto, agora cantado no timbre do pranto.

Pingava-mos-nos pelo queixo, lábios inflados.
Tornozelos e mãos empunhei-lhe, escorregando-me monarca entre paraísos, atormentando-nos com coitos até por fim nos tornar um por inteiro.
Vazou-se-lhe toda a expressão do rosto para os glúteos que no contrair engrossaram o empalo num não mais puder suster que se retorcia no dedilhar de meus dedos.
Possui-a infame até convulsar eu próprio e me aperceber egoísta da memória dela. Travado, encontrei-a atravessada no início do meu nome. Voltou ao olhar para me fulminar e abandonou-se num monólogo de misérias.

Descrucifiquei-a, mais para lhe sentir tornar a perfeição da tez que por conforto, e troquei-me para a rua do útero, onde espasmódico lhe recebi os sobressaltos do sangue vida redescobrindo as artérias secas dos membros dormentes.

Repousou os segundos de ter peito e, reenchida, lançou-nos com ira no soalho, página branca das nossas ordens.


Abraços

Foto not by me

segunda-feira, outubro 29

FIBDA 2007


18º Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora
Fórum Luís de Camões até 4 de Novembro.
Tema principal: 10 BDs mais importantes do Seculo XX - Asterix, Batman, Blueberry, Corto Maltese, Krazy Kat, Little Nemo, Maus, Peanuts, Spirit, e Tintin)

Para quem respira o festival desde o seu primeiro passo (há 18 anos... meia vida minha me acompanhou a este festival) saúda-se o regresso a espaços mais amplos, se bem que não possa concordar com a claustofobização do piso inferior.

Continua-me a desiludir o excesso de "impressões"... principalmente quando são compensadas por originais que são reposições de reposições... mas quando me descobri perante os originais do Manara fiquei absolutamente sozinho, e as telas recompensaram-me, endeusaram-me.

O que se pode fazer?
Repensar a politica de ocupação dos espaços porque realçar os temas não implica encurrala-los e dadas todas as voltas senti-me mais incomodado que ajudado a apreciar a obra pelo Decor.
E implicar as empresas para que percebam que este festival É a melhor altura do ano para se apresentarem, que de outra forma continuarão esquecidas, elas e os livros que são o seu ganha-pão e o nosso deleite.

Saúda-se ainda a presença do Luis Louro que, como sempre, tive de incomodar; do colega Miguel Rocha - o desenhador da moda em Portugal a quem desejo que o seja para sempre; do grande Milo Manara que autografou o livro do Bloguista mais cagão que alguma vez conheci; das (entre outras) editoras: Asa e Vitamina BD, graças a quem ainda vai sendo possível ler BD de grande qualidade também na nossa língua.

Novidades encontrei bastantes, algumas com excelente qualidade mas, qual pescador, a compra que mais me ficou atravessada foi a que não pude fazer: Africa by Hermann, exposto na Amadora mas sem autorização para ser comercializado.
.
Passem por lá, a Banda Desenhada agradece.

Abraços

quinta-feira, outubro 25

Trovando...

Apenas resto de soalho a encontrei
trajando simples retro com a classe
que Musa pactos que nunca cantei
por uma e outra vez que a retratasse.

Ali resto de chão belíssima a presa
pela própria escolhida isco de paixões
sorria-me na mão fulminante entrega
narrando-me novas as velhas emoções.

Cerraram-se olhos no mesmo instante
trancados como os lábios pelos meus
saboreando voltas do dançar fulminante
com que se enfatiza a reunião dos véus
nos ventos tormentos deste crepúsculo
ausentes de surpresa ou cortejo sedutor
reféns da vontade do melhor musculo
carpindo nuances de vielas neste amor.


Abraços

terça-feira, outubro 23

Obrigado/a




O meu agradecimento a quem passa e se detém por uns instantes.

Lyrics – Not by me

Photos e Avatares - By YOU

Beijos e abraços IMENSOS e MUITO GRANDES.

domingo, outubro 21

Post 119

No sopé da Serra, do lado sombrio
longe do canavial que lambe o Rio
vive um triste Príncipe dizem alguns
Prisioneiro sei-o eu, porque lá o pus

Desce ao Rio para fumar Liamba
sobe a Serra porque a Lua o clama
e mais não lhe posso permitir olhar
porque fecha os olhos para masturbar

E vive recluso mesmo sem cancela
porque evadir não é uma janela
mas sim guilhotina, SIM GUILHOTINA!
Só não o sabe quem apenas rima

Mas vêm amigos e vêm paixões
trazem consigo as recordações
e partem e vão, fico eu carcereiro
apontando ao pilar o meu cacilheiro

E aplaco, aplaco-nos, repousamos-te
E mato, mato-nos, reencanto-me
E arrepio caminho para não entender
que sou carcereiro no verbo dizer.


Abraços
Minha foto
Algés, Oeiras, Portugal
eu sou quem