Ajoelhei-me no Restelo e pedi a Deus que a fizesse andar.Depois dela não mais Deus.
No Restelo meu Pai desafiou-me a escolher entre uma vida morna e uma vida salgada?
Depois do desafio não mais Pai.
De saco-cama, no Mar Vicentino venci um vício.
Depois do químico o álcool.
No Francisco Xavier arranquei de mim todos os pelos e preparei-me para não regressar.
Depois de mim sobrevivi.
Nas Rochas, mordidas pelo Oceano de Cascais, despedacei o corpo da Guitarra de meia vida.
Depois de mim ninguém!
Na areia, virada para o Mar de Algés, tornei pira a cama que só dela foi.
Depois de nós ninguém!
Hoje, continuo a despedir-me da vida, feliz por de tudo ter experimentado mas infeliz por não ser capaz de a querer apreciar.
Depois de um dia, outro.
Pode ser hoje, amanha ou aos 90. Partirei laçando com lágrimas a vida, pranteando os que amo e os que no dia descobrirei também amar. Partirei lutando, rindo e sangrando, mas partirei ciente que fui eu e apenas eu quem me partiu, quem me perdeu, quem me viveu. E que vida rica eu tenho vivido!
Abraços vivos e agradecidos
Depois dela não mais Deus.
Depois do desafio não mais Pai.
Depois do químico o álcool.
Depois de mim sobrevivi.
Depois de mim ninguém!
Depois de nós ninguém!
Depois de um dia, outro.





