sexta-feira, julho 13

Despedidas

Ajoelhei-me no Restelo e pedi a Deus que a fizesse andar.
Depois dela não mais Deus.

No Restelo meu Pai desafiou-me a escolher entre uma vida morna e uma vida salgada?
Depois do desafio não mais Pai.

De saco-cama, no Mar Vicentino venci um vício.
Depois do químico o álcool.

No Francisco Xavier arranquei de mim todos os pelos e preparei-me para não regressar.
Depois de mim sobrevivi.

Nas Rochas, mordidas pelo Oceano de Cascais, despedacei o corpo da Guitarra de meia vida.
Depois de mim ninguém!

Na areia, virada para o Mar de Algés, tornei pira a cama que só dela foi.
Depois de nós ninguém!

Hoje, continuo a despedir-me da vida, feliz por de tudo ter experimentado mas infeliz por não ser capaz de a querer apreciar.
Depois de um dia, outro.

Pode ser hoje, amanha ou aos 90. Partirei laçando com lágrimas a vida, pranteando os que amo e os que no dia descobrirei também amar. Partirei lutando, rindo e sangrando, mas partirei ciente que fui eu e apenas eu quem me partiu, quem me perdeu, quem me viveu. E que vida rica eu tenho vivido!

Abraços vivos e agradecidos

Depois dela não mais Deus.
Depois do desafio não mais Pai.
Depois do químico o álcool.
Depois de mim sobrevivi.
Depois de mim ninguém!
Depois de nós ninguém!
Depois de um dia, outro.

quarta-feira, julho 11

Rex

Os olhos encontraram-se, reconheceram-se e afastaram-se, os meus mais decididos que os dela, que meio segundo após ter falhado a meta do meu ombro se tornou, apontando-me o dedo acusador.

Só existem duas pessoas no Universo por quem tentaria passar despercebido. Ela era uma delas.
Felicíssimo por a ter visto, constatado que agora mulher feita é ainda mais bela que quando mulher iniciada (as mulheres só estão completas depois dos 35) recebi o dedo acusador pronto para a torrente de espontaneidade, o honesto metralhar de improvisos com que sempre se tentou cobrir do embaraço que lhe causo.

TU IAS PASSAR POR MIM SEM ME FALAR ANDRÉ !!

Pois ia, pensei que tu também o fosses fazer... e quase fizes-te.

NÃO ANDRÉ, TU IAS PASSAR POR MIM SEM ME FALAR !!!!!!

Desculpa…

Avancei para dentro do dedo-espada ao centro dos olhos mirado e roubei um abraço beijado, primeiro correspondido e depois finalizado com um experiente murro nas costelas que me apartou.

Os seus olhos perderam a ira e ganharam a descrença do constrangimento.

TU IAS PASSAR POR MIM SEM ME FALAR ANDRÉ !!??!!??!!??

Pois ia, desculpa, deixa-me compensar-te. Pago-te um copo, vamos, desculpa, passaram o quê? 10 anos?...

O meu filho tem 15 anos André!

Não lhe voltei a perguntar o nome do Pai, não acredito em nenhuma das respostas!

Abraço...

(foto NOT by me )
A inigualável no dizer e no sentir SONHADORA, Imperatriz do Amor, humilde anfitrião do Blog
Esta Minha Casa, mimou-me com a 5ª frase da pagina 161, nomeação que repito atestado de orgulho pela atenção.
Historia Mística de Portugal by Pedro Silva, da Editora Saída de Emergência

Acerca de um Solar do século XV existente próximo de Arraiolos e a respectiva lenda da Sempre-Noiva, diz assim o quinto paragrafo da pagina 161:

Mas estávamos no ano de 1384 e a altura não era a ideal, longe disso, para um casamento entre pessoas do mesmo lado da barricada. Levada para Lisboa, que se encontrava cercada, quis o destino que o Mestre de Avis, futuro Rei de Portugal, tivesse decidido casa-la com outro nobre. Mas as pressas levaram a que o seu noivo morresse vitimado pela peste, ainda antes de formalizar a ligação.

Não a passo a ninguém, já o fiz no passado, mas estejam à vontade…

Abraços embrulhados em Beijinhos

terça-feira, julho 10

MomentUS de Excelencia

As queridíssimas Um Momento... e gasolina não são apenas duas escritoras, são duas boas escritoras, que para alem da Arte que nos oferecem, um dia por aqui entraram em simultâneo e desde então me têm acompanhado com o seu vigor na frontalidade, e com a sua capacidade e vontade de me perceberem, o que têm enriquecido sobremaneira não só a bagagem, como o maquinista destes dias.
Duas boas escritoras que por essa blogosfera fora têm enchido de ternura e Arte um Mar de gentes, que naturalmente lhes retribuem todo este seu Amor da melhor forma que nós Blogistas, o conseguimos fazer.

Hoje é acima de tudo uma enorme alegria receber da sua electricidade o Prémio Blog MomentUS de Excelência, prémio que para mim, na prática, sublinha os espaços que de alguma forma bloguistica colocamos acima de um patamar de normalidade, e quão elevado é o patamar de normalidade neste pais de Poetas como nenhum outro…

Muitíssimos parabéns meninas por mais um Mimo, e muito obrigada meninas por mais um Mimo, vocês estragam-me e eu gosto imenso desta nossa relação virtual, visitando sempre que sentidos… fazemos parte!

Por razões emocionais deixei de ler alguns Blogs absolutamente espantosos, o que diminui a quantidade de excelência nos meus passeios, por isso meterem-me a passar prémios do óptimo é estar a enterrar o seguimento da coisa porque, chamar pelo nome aqueles que sensorial ou emocionalmente me tocam regulamente acima do muito, é quase matar o seguimento do prémio, não pela qualidade dos espaços visitados, que são muitíssimo bons, mas sim pelo respeito que o excelente me merece.

São espaços excelentes:

Esta Minha Casa by Sonhadora
Flor da Palavra by Gasolina
Helena Nunes by Helena Nunes
Impulsos by Impulsos
Ovelha Negra, Ovelha Branca by Ovelha Negra

Os referenciados são livres ou não de dar seguimento a estes MomentUS de Excelência, o importante mesmo é o meu reconhecimento “publico” pela excelência dos vossos passos apenas pelo espaço em si, e o meu muitíssimo obrigado a vocês, por AINDA mais que os outros me melhorarem.


Um excelente Abraço

segunda-feira, julho 9

Quando dei por mim

Quando dei por mim encontrei-me frio e árido.
Quando dei por mim com as mãos cobria o rosto.
Quando dei por mim tanto me faltou para ser uma pessoa.
Quando dei por mim não vi orgulho, apenas desgosto.

Quando dei por mim quis voltar a ser sozinho.
Quando dei por mim raera todas as pegadas.
Quando dei por mim já não era eu André.
Quando dei por mim despenhava gargalhadas.

Quando dei por mim rasguei as mãos.
Quando dei por mim ninguém chamei.
Quando dei por mim cozi boca e olhos.
Quando dei por mim amava alguém.

Quando dei por mim nem o luar me acompanhava.
Quando dei por mim nem o regaço do Oceano.
Quando dei por mim isento de dor chorava.
Quando dei por mim quis cessar todo o dano.

Regressar à morte porque vida não me mereço.
Regressar à vida enquanto morte, morte peço.
....

sexta-feira, julho 6

Os castanhos e as brancas

Algures, num dos paraísos da Lezíria Ribatejana.

Um por bestialidade, o outro porque é uma besta, o animal e o bicho, ambos inteiros de Fêmea.


A ambos foi concedido o dom de pensar e sentir, mas ambos são castrados de vida.

Relincham ambos acima dos ecos da falta de opções que galopam.
Relincham ambos em cima dos Egos das Brancas que, bestas, precisam de possuir.

O irracionalmente perfeito e o racionalmente imperfeito. Ambos castanhos, ambas brancas.

Ilhados por um cordão condutor de electricidade.
Ceifados pelo filtro da memoria. Inquisidor de vivências, o assassino de experiências.

Pesados os peitos ébrios de paixão, permitem-se viver sem vida num dos Paraísos da Lezíria.


Abraço de fim-de-semana


quinta-feira, julho 5

Ferir a folha tua carne tornada.

Por e-mail, à laia de Desafio, pediu-me que casasse a minha arte com a sua carne. Desafio imenso, criar uma imagem para a sua pele suportar. Compromisso dos sérios, porque, para nós, se intemporiza.

Apresentou-me duas premissas: Joaninhas e Flores. Indicou-me exemplos pictóricos: Tribais fundamentalmente. E deixou-me com um dead-line de um mês. Deixou-me confiante na minha capacidade de lhe traduzir sentires no carvão, e depois na cor. Deixou-me e tentou fechar-se à expectativa.

Primeiro, rabiscos de intervalos nos dias. Depois, estruturas que em pops fui moldando na saudade. E finalmente, em desenho, criámos a nossa base para a sua Tattoo.
Ela adorou e eu estou orgulhoso por ela ter adorado.

Abraço agradecido, graças a ti experimentei e experimentei-nos.

Rabiscos e estruturas - ao Som da vida.
Não consegui ser Tribal, introduzi a dimensão, e apropriei-me da simbologia, mas o resultado, distante do que eu alguma vez sentiria necessidade de riscar, agradou-me.

Cor - ao Som de Kalashnikov.
O pincel que mais fere a folha é a caneta. Rotring 0.7 seria se não me tivesse sido imposta a presença de Cor. Arrisquei-me no feltro, técnica que desconheço, e gostei, não do desenho mas do desenho no seu corpo, corpo que ao desenhar de memória percorri.


Abraço na Carne

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Era heterogena, espontânea, misturada, não ocupando lugares previamente marcados. Pagina 161 - 5ª linha completa do livro Intervenção Extraterrestre em Fátima by Joaquim Fernandes e Fina D´Armada.
Agarrem no livro mais proximo e contem-nos: Esta Minha Casa , Fantasias e Realidades e Pitchulices miminho da omnipresente Um Momento

quarta-feira, julho 4

O outro

O mais despropositado dos Tabus é o sexual.

O sexo atravessa-nos diariamente dezenas de vezes, homens e mulheres, no entanto é dos assuntos que menos abordamos.

Insinuamos, brincamos, opinamos, mas não nos atrevemos a trocar, olhos-nos-olhos, verbos do nosso sexo.

Eu sou um livro aberto, a vergonha esperada dos amigos e das mulheres. Mas mesmo aqueles a quem mais fundo me entrego se mantêm tímidos no falar das suas proezas, fraquezas, curiosidades ou afazeres sexuais.

Falamos de tudo, menos daquilo que realmente faz o Mundo andar à roda.


Eu namorava com ela, ela namorava comigo e com ele, e eu e ele não nos falávamos.
Depois começámos a falar-nos, a namorar a três, e finalmente esquecemo-nos dEla e continuámos a namorar, a dois.

E como se namoraram?

Exactamente como estás a imaginar. Excita-te querida?

Sim, vocês são ambos belos homens, mas, e ela?

Ela acariciou-se até se jorrar em pragas do seu Amor por nós.

E tu, quando nos observas em masturbo, vens-te excitado por ambas mas vendo-a apenas a ela...

Desculpa mas é ela a minha amante de sempre, mesmo Lésbica, mesmo que apenas a possa ter tendo as suas amantes.

Beija-me para ela!

Não! Eu beijo-te para ele.

E não falámos de sexo...

Ensinámo-lo meu Amor.


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Quatro Abraços
Minha foto
Algés, Oeiras, Portugal
eu sou quem